Introdução: A esteato-hepatite não alcoólica (EHNA) constitui a forma progressiva da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, estando relacionada a inflamação hepática, fibrose progressiva e aumento do risco cardiovascular. O acompanhamento ambulatorial desses pacientes é fundamental para a identificação precoce de fatores prognósticos e para a implementação de estratégias terapêuticas que possam modificar a história natural da doença. Objetivo: Descrever o perfil clínico e os desfechos de pacientes com esteato-hepatite não alcoólica acompanhados em seguimento ambulatorial especializado. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional retrospectivo, realizado por meio da análise de prontuários de pacientes adultos com diagnóstico de EHNA, acompanhados em ambulatório de hepatologia. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos, laboratoriais e de imagem, incluindo índice de massa corporal, presença de comorbidades metabólicas, níveis de aminotransferases, perfil lipídico, métodos não invasivos de avaliação de fibrose e desfechos clínicos durante o período de seguimento. A análise descritiva foi realizada por meio de medidas de tendência central e dispersão. Resultados: A população estudada apresentou elevada prevalência de obesidade, diabetes mellitus tipo 2, dislipidemia e hipertensão arterial sistêmica. Observou-se que a maioria dos pacientes apresentava elevação persistente das aminotransferases e graus variáveis de fibrose hepática. Durante o seguimento ambulatorial, intervenções baseadas em mudanças no estilo de vida e controle metabólico estiveram associadas à estabilização ou melhora dos parâmetros bioquímicos hepáticos em parcela significativa dos pacientes. A progressão para fibrose avançada ocorreu predominantemente em indivíduos com múltiplos fatores de risco metabólicos. Conclusão: Pacientes com esteato-hepatite não alcoólica em seguimento ambulatorial apresentam perfil clínico caracterizado por elevada carga de comorbidades metabólicas, as quais influenciam diretamente os desfechos hepáticos. O acompanhamento contínuo e multidisciplinar mostra-se essencial para a identificação de pacientes de maior risco e para a otimização das estratégias terapêuticas, visando à prevenção da progressão da doença hepática.
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